Projeto cria memorial para homenagear vítimas do novo coronavírus


918  18 de maio de 2020

Com o avanço da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, mais de 16 mil mortes já são contabilizadas nas estatísticas oficiais. Na última semana, foram registradas cerca de 800 novas mortes por dia. Enquanto acompanhamos a situação pelo noticiário, não somos capazes de imaginar a dor de cada família que lamenta a perda de alguém. Pensando nisso, surge na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) o projeto de extensão Cada Pessoa Importa, com objetivo de valorizar a narrativa de vida das vítimas do novo coronavírus e sensibilizar a sociedade sobre a importância do isolamento social como medida para frear a disseminação da doença.

O projeto do curso de Filosofia do Instituto Superior de Formação Humanística (ISFH) desenvolveu um site onde será disponibilizado espaço para fotos das vítimas e depoimentos de seus familiares, como um memorial.  As famílias devem gravar vídeos de até cinco minutos contando a história de vida desta que, embora seja mais uma vítima do vírus, não é apenas um número. “Uma estatística que é diariamente atualizada e à noite esquecida. Neste sentido, registrar a história dessas pessoas é uma forma de valorizar, não apenas essas, mas todas as vidas”, aponta a descrição do projeto.

O texto traz ainda a lição de humanidade, presente através da vertente cristã da instituição, reforçando que todas as classes sociais são atingidas indistintamente pelo vírus. A professora Adriane Möbbs coordena a ação e revela que a inspiração veio do Papa Francisco. “Não podemos deixar que avance a globalização da indiferença. Desde que foram notificadas as primeiras mortes a mídia passou a reproduzir os números. Já que são muitas vidas perdidas diariamente no Brasil, não há espaço nos veículos de massa para contar a história de todos. Os números não geram empatia”, explica.

Além de eternizar as histórias de vida das vítimas, o objetivo da iniciativa é evidenciar as proporções da pandemia, despertar a solidariedade e empatia na sociedade, além de contribuir com a conscientização da população sobre as medidas de prevenção. “A quantidade de vítimas aumentando a cada dia e o que percebemos é que a sociedade em geral não consegue perceber a dimensão real da tragédia. Com a humanização dos números pretendemos mostrar quantas histórias têm sido interrompidas estimulando na sociedade a compaixão pelo próximo, importante na construção de um mundo mais justo e democrático”, conclui Adriane.

O coordenador do Escritório de Desenvolvimento Regional (EDR), Ezequiel Megiato, destaca a importância de projetos de extensão que reforçam a vertente da instituição. “Vejo como uma iniciativa muito humana e sobretudo cristã, de valorização da vida. Será um projeto multidisciplinar e que nasce da missão da própria UCPel, que é estar à serviço da pessoa e da sociedade”, pontua.

 

Redação: Mariana Santos

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